sexta-feira, 26 de março de 2010

Safadeza na sacristia

Muito boa noite aos amigos!

Cá venho eu virando o mate e dando sequência às discussões aqui do blogue. Ultimamente temos notado um aumento grande no número de visitas, coisa que será considerada. A partir de hoje, vai começar uma rotina mais intensa nas postagens... reforço o pedido aos outros payadores para que aumentem o ritmo, e que comecemos a lidar com temas mais relacionados diretamente à ciência! Hoje ainda tô no ritmo de férias... mas logo a coisa vai disparar! Peço, também, aos leitores macanudos e às leitoras de fino trato que deixem um comentário/crítica/reclamação/elogio!

Mas sigamos!

Hoje ouvi no rádio (porque televisão é coisa de desocupado) que o atual papa Bento Dezesseis (nome xucro, aliás) tá sendo acusado de perdoar um padre pedófilo americano, que teria se resfolegado com 200 crianças em uma escola para surdos. Simplifiquei a história. Daí foi feita toda uma retomada sobre os casos semelhantes na Igreja Católica e blablabla. Eu já disse que minha intenção não é pregar nada, nem implicar muito com essa história de religião organizada, mas essas cousas me incomodam mais que mutuca no tornozelo.

Todo mundo sabe que é errado comer criancinha. Isso não se faz, de acordo com princípios morais AMPLAMENTE aceitos pelo humanidade. O cara fica malvisto. Não é compatível com o nosso estilo de vida. E ponto. Mas quero ir um pouquinho mais longe...

Nossa espécie, o bicho homem, tem dois sexos: masculino e feminino. A diferença crucial entre eles é o tamanho da contribuição que cada um dá pra formação do filhote. E isso é assim pra todos os seres que têm essa divisão em macho e fêmea. Os machos são aqueles que contribuem menos (só no sentido biológico, che. Não precisa riscar o facão...): dão uma célula pequena, o espermatozóide, que é produzida em laaaaarga escala. As fêmeas contribuem com uma célula enorme, além de, no caso dos mamadores e outros bichos, alimentarem a cria nas próprias entranhas, por um tempo relativamente longo de suas vidas. Pensa numa mulher grávida... em alguns casos, aquela barriga atrapalha tanto que fica complicado de realizar as tarefas cotidianas. Minha tia, quando engravidou pela primeira vez, engordou uns 20 quilogramas. Meu tio, bagual que é, vinha gritando antes de chegar em casa: "Abre as duas portas que a jamanta vai passar!".

Disso se tira uma ideia muy elegante: se para as fêmeas a reprodução é coisa mais trabalhosa, elas têm um número mais limitado de possíveis filhos. O investimento é muito grande! Essa é a razão para elas serem tão seletivas... querem escolher o macho ideal, pra não desperdiçar energia!

Já os varões (e os que me lêem hão de concordar!), investem muito pouco... A alternativa encontrada foi tentar reproduzir muitas vezes e, pra aumentar as chances de ganhar na loteria genética, com o maior número de mulheres possível. Tá aí a causa de os xirus terem uma maior flexibilidade quanto à escolha das patroas... se for guapa, ótimo: vai direto contar pros amigos. Se for mediana, um trago de canha já elimina o problema. Se for um bichinho-da-goiaba, basta que não tenham muitas testemunhas que o bandido não perdoa! Tô exagerando, mas todos sabemos como é!

Mas por que eu tô falando isso?

A questão é: faz mais ou menos 3,5 bilhões de anos que a vida como nós conhecemos surgiu. Não sei precisar há quanto tempo surgiu a separação em sexos (que não surgiu uma só vez, creio...). Mas há centenas de milhões de anos que a linhagem do Homo sapiens (ou mancebo, vivente, segundo o Sistema de Classificação do Pampa) apresenta essas característica. As prendas são criteriosas para a escolha dos parceiros. Os baguais são menos. São verdadeiras máquinas de reproduzir. Acontece que a Igreja Católica, com sua audácia típica dos aproximadamente 2000 anos de idade (uma adolescente espinhenta no mundo das religiões...) insiste em ir contra a natureza humana. O celibato não é legal. O celibato complica a vida dos sacerdotes. Depois aparecem essas notícias de padre tarado por criança surda e todo mundo fica nervosinho!

Logicamente que não são todos os homens que são capazes de cometer essas coisas, mesmo sob abstinência. Mas alguns, que provavelmente seriam buena gente, não o são devido a essa situação que lhes é imposta. Completamente antinatural. É deixar o passarinho na gaiola, sendo que ele tá programado pra voar (sem projeções.... sem projeções...). Isso causa problemas, e quem paga são as crianças inocentes que são abusadas. Sabe-se lá como fica a situação delas!

Duvido que o celibato tenha sido imposto por santidade ou coisa do tipo. Provavelmente ele é conveniente pros interesses organizacionais da Igreja, assim como é na Maçonaria. Afinal de contas, todos nós sabemos que as mulheres desviam a atenção. As mulheres estão para nós como as flores estão para as abelhas operárias. E que coisa boa que é isso.

Bom, encerro por aqui. Me despeço, pedindo aos viventes que deixem um comentário pra lá de buenacho! Nem que seja criticando...

Pra dar um toque de humor, aí vai uma figura que ilustra a embalagem de uma famosa marca de chocolate. Como disse meu irmão esses dias: "Não parece que um padre tá chupando o dedo do outro?" Quem dera, seu Bira... quem dera...

  A imagem é do artista plástico Alessandro Sani. A história pode ser conferida aqui: http://paiobirolini.blogspot.com/2009/05/27-os-padres-da-nestle.html

sexta-feira, 19 de março de 2010

Porco-do-mato

Cumprimentos.

Hoje venho trazer aos senhores um texto muy explicativo, elaborado por um companheiro uruguayo loco de bagual, o Ismael Brack. Também chamado de Brackinho, o guri traz a tona um assunto que deveria estar na ponta da língua de toda a gente do Rio Grande. As construções de Usinas Hidréletricas (aquelas máquinas grandes de transformar rio em lago + energia elétrica) ao longo do Rio Uruguai/Pelotas previstas pelo PAC. Como denuncia o vivente, essas obras ignoram estudos ambientais necessários e, como já foi visto no passado, podem contar com Relatórios de Impacto Ambiental fraudulentos barbaridade. Uma das espécies animais ameaçadas nesse entrevero é o porco-do-mato, ou queixada, que se encontra em um só bando lá pras bandas de Vacaria. Aí que o bugre velho deve repensar os conceitos, pesar as consequências e, na base do estudo sério, avaliar a real situação dos ambientes jurados de morte por essa iniciativa. Da crise de perda de biodiversidade decorre uma crise socioeconômica, e ambas dependem de uma crise de valores da humanidade, que tem sido o grande catalisador desse cenário. Agora que iniciei o assunto de um jeito meio frouxo, deixo com vocês a firmeza do nosso convidado.
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quarta-feira, 17 de março de 2010

Buenas e me espalho

Não faz muito o amigo Gilberto, baita bagualão, postou um poemito de derreter coração de moça nova. Cousa muito linda, cada ponto no lugar que tem que estar.Coisa muito fina e mimosa.

E falando em mimosidade, estávamos nós, hoje depois da aula de plantinha, que bagual que é bagual tem que estudar plantinha, nem que seja pra dizer depois "gosto mesmo é de couve", bueno, estávamos nós, bem belos, rumando de encontro aos mercedões, quando nos deparamos com um fandango bonito barbaridade! Era a festa dos animal(ênfase bagual no éle, que guampa torta tem que falar éle com vontade).
Os bixos frescos e ainda quentes da última fornada, em especial um bando de guria bonita(que o Blau Nunes me empreste umas palavras: "Face cor de pêssego maduro; os dentes brancos e lustrosos que nem dente de cachorro novo...") que não tinha medo de falar grosso e botar opinião na mesa. E tinha um paysano chamado Avner(gracias, Barradas, pela lembrança) que era quieto.Justo, homem é bicho quieto.
Bueno, a postagem é mesmo pra dar boas vindas e talicoisa, convidar pra algum chimarrão com rapadura, charla, prosa, roda de violão ou baile. Dizer que os veterano tão sempre aí pra mostrar o caminho da biblioteca e do bar(os dois lugares mais importantes da Universidade, nas palavras dum professor macanudo) e qualquer cousa é só prender o grito mesmo.

Beijo pra Beatriz, pra Larissa e pra Iana. Pro Avner, um abracito. Mas sem muito apego.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Errata baguala!

Perdoem-me por um erro muy grosseiro que cometi em minha última postagem!

Atribuí a sujeira na praia da Ponta Verde, em Maceió à comemoração do dia de Iemanjá. Acontece que tal evento corresponde ao dia 02 de fevereiro, data na qual eu já estava em solo gaúcho.

Conversando com um amigo, cheguei a conclusão de que se tratavam de oferendas simples, muito frequentes no nordeste devido à disseminação de religiões afro-brasileiras na região, como Umbanda, Quimbanda, Candomblé, etc.

Mas a indignação continua.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Iemanjá me tapando de nojo

Um causo ligeirito, que o calor tá de arrepiar cernelha de mula.

Lembrando das andanças pelo Brasil, em particular da cidade de Maceió, recordei uma coisa que me deixou deveras irritadiço!

Maceió, capital brasileira das praias. As águas daquela querência chegam a me deixar nervoso de tão belas que são. Longe do alcance da gelada Corrente das Malvinas (que começa a fraquejar pelos lados de Torres, deixando as águas frias e com cor de alpargata velha SÓ pra nós), a cidadezita ostenta uns lugares paradisíacos.

Tranquilito, isso todos devem ter ouvido falar. Pois acontece que na primeira das praias que conheci, lá por volta do dia 12 de janeiro, me deparei com situação muy deselegante. Logo depois de botar o pé na praia da Ponta Verde, me prendeu na ponta do dedão uma sacola de matéria plástica. "Porcaria", pensei. Tirei ela e joguei no lixo, limpito que sou. Mal se passam cinco minutos e a situação se repete. Dessa vez, um pacote inteiro de fubá (nome que os brasileiros dão pra uma farinha de milho toda mimosa) se agarra no meu calcanhar. O fato se passou por volta de umas quatro vezes. Percebi que eram as oferendas do dia de Iemanjá. Relinchei.

Por que Iemanjá, se existe, precisa de farinha de milho? Vai fazer uma broa? Não dá pra cozinhar debaixo d'água. Flores, barquinhos, caravelinhas, farinha... E eu sou a prova de que ela não precisa das oferendas! Estava tudo com cara de apodrecido, com um ranso escorrendo.

Sendo assim, tu que acreditas nisso (se é que chegaste aqui!), estás só sujando a morada de tua amiga imaginária. Nada agradável esse hábito!

Gente boa que nos lê... sei que é uma tradição, faz parte da cultura nacional e todas essas coisas arbitrariamente sem sentido, mas, é coisa de cabeça-de-porongo. Quem decidiu o que Iemanjá gosta? Ela disse como, por mensageiro, pombo correio, fax ou sinal de fumaça? A la putcha!

Pensa nisso. Tem gente aí perto da tua casa que precisa muito mais de um quilograma de fubá do que aquela lá das águas. Ela pode pescar, se quiser.

E me vou!

domingo, 24 de janeiro de 2010

O paradeiro dos blogueiros e Causos de Gravataí

Avancei o mês de janeiro me estendendo pra conhecer um pouco mais daquele país lá do norte, o tal do Brasil. Na companhia do Costa e do Márcio (que de tão dançarino merecia aparecer no Faustão), desbravei todo o território costeiro até chegar em Maceió, nas Alagoas, para o Encontro Nacional dos Estudantes de Geografia, ou ENEG. Com paradas no Espírito Santo, Bahia e Sergipe, a indiada a bordo do ônibus da Acorip Turismo (sugiro que leiam a graça da empresa de trás para a frente. Piroca era o sobrenome do motorista e dono da empresa) foi, de largo, proveitosa. Conhecemos gentes de várias querências: Rio Grande, Pelotas, Campinas (transviadônica, hein), Minas Gerais, etc. Todo mundo muito agradável, tornando a viagem flor de especial. Moças de fino trato para embelezar as paisagens rebuscadas do nordeste e xirus sempre dispostos a uma boa charla e um mate bem cevado. Até os paulistas se engaucharam. Entre "mates", "ches" e "bahs", no mínimo uns dois estrangeiros se identificaram com o Rio Grande e partilharam as alegrias conosco.

Acontece que a rapadura é doce, mas não é mole. Foi bom e durou pouco; dia 21 estávamos nós, os três estudantes de biologia infiltrados no encontro dos colegas da geografia, chegados em Porto Alegre. Acabados. Depois de quase chorar de cansaço, dormir esperando o almoço e deixar uma nesga de pele nas areias alagoanas, estamos de volta ao pago acolhedor que é o Rio Grande, prontos pra continuar a peleia.

Mas, mudando de ares, que me bateu um minuano na orelha de balançar até o osso...

Hoje, domingo, o amigo Lucas ligou-me dizendo que tinha uma proposta. A ideia era ir para Gravataí procurar umas cachoeiras que ele conheceu quando morou lá, há cerca de dez anos. Gravataí é uma cidade vizinha, com o nome oriundo do tupi, querendo dizer Rio dos Gravatás. Lá tem muito gravatá. Muito gravatá tem lá. É, muito gravatá. Gravatá, pra quem não sabe, é uma plantinha de folha espinhuda, que nasce em meio às pastagens rasteiras, na beira de estradas e tal. Tem inclusive um causo interessante sobre o nome e a alcunha da cidade, mas fica pra próxima. Então, fomos atrás das cachoeiras. Depois de um tempo andando em vão, molhando os pés numa sanga suja e passando uma sede de fazer cacto chorar, resolvemos dar as caras num local que tem ali por perto: um sítio de acampamento para jovens, pertencente a uma instituição chamada Palavra da Vida. Entramos, fomos muito bem recebidos por um rapazote, que nos mostrou o lugar, onde vimos cachoeiras, trilhas pelo mato, quadras de esportes, etc. Local muito bonito, não minto. Tudo num clima meio ecológico, com a intenção de fazer o pessoal entrar em contato com a natureza. A mim, curioso que sou, me surpreendeu um guia muito bem elaborado, com todos os répteis e anfíbios mais comuns da região.

Até aí, só maravilhas. Agora, a parte que me tapa de nojo. A Palavra da Vida propõe acampamentos de verão com atividades integradoras e doutrinadoras para os jovens. Muito bem. Eu não apeei meu cavalo aqui nesse espaço pra pregar ateísmo nem nada, pois pra mim pregar é coisa de carpinteiro, mas tá aí algo que me irrita. E tem mais: por trás da instituição, que se diz sem fins lucrativos, estão missionários americanos (leia: exploradores). Isso me faz lembrar o que acontece na Amazônia Legal, onde centenas de seitas e missionários franceses, alemães e sei-lá-de-ondes fazem território e compram, com apoio do povo local e pagando em moeda de fé, as riquezas naturais do país. É.

Não sou nenhum queimador de igrejas, mas não consigo entender umas coisinhas. O sítio da Palavra da Vida é muito bonito por si só. A proposta de entrar em contato com a natureza é muy bela. Mas tudo isso é uma estratégia doutrinadora. É como se faz com ratinhos em laboratório: se quer que ele faça tal coisa, dá um pedaço de queijo como reforço positivo. Isso tem nome, e se chama Método Behaviorista Skinneriano, se bem me recordo. Acontece que doutrinar, pra mim, é muito apelativo. Fazer a cabeça de alguém é uma coisa que eu evito, e me dá um ranso de pensar que tentam fazer isso comigo o tempo todo. Um acampamento com uma proposta ecológica eu considero excelente. Usar isso de subterfúgio (e agora falei bonito) pra talhar numa mente bruta uma ideia impregnada de interesses duvidáveis, não me serve.

Não é bom conviver com gente diferente? Não é bom conhecer lugares novos, andar no mato (há quem não goste... me espanto, mas respeito!), acampar e tudo mais? Essas coisas são boas por si só, sem necessidade de ver um objetivo maior nelas. Exemplifiquei aqui mesmo, no início da postagem. Me sinto até um bagual muy romântico e meio finório ao olhar pra uma baita de uma árvore (um guapuruvu, tomadito de flor em final de primavera) e ver a beleza dela. E só dela. Na verdade, só dela chega a ser ofensivo. Uma árvore tem uma história muito mais interessante pra contar do que eu ou tu. Imagina que ela vem se alimentando só da terra e ar. Que um dia, tudo o que era necessário pra ela começar a história de vida tava dentro de uma semente que cabe no teu dedo. Eu acho isso muito mais interessante do que sentar em baixo dela, usando como sombra e ler um trecho da bíblia, porque me disseram que é de bueno alvitre.

Tá, vou parando por aqui. Da próxima vez que forem pra um acampamento temático, seja ele religioso, político, ou sei lá o quê, ignorem o motivo porquê estão ali e só estejam ali. O motivo, no final das contas, existindo ou não, não faz mais diferença.

Desculpem o texto meio disconexo e as pitadas de indignação, mas o bagual aqui corcoveia diante de algumas cousas. Pra acabar a história num ar de graça, saibam que as duas horas que passamos lá no rincão da Palavra da Vida, me passei por estudante sueco. Falando só inglês com meu amigo que tinha ido junto. O pessoal nem desconfiou, mesmo tendo uns americanos e alemães por lá. Pessoas muito boas, por sinal. Mas já queriam colocar um versículozinho em sueco no meu bolso...

Abraços brutais!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Mundo Assombrado pelos Demônios - A Ciência vista como uma vela no escuro

Depois de muy bela payada recitada pelo amigo Barradas (que de tão bagual merecia ter mais uns três érres nesse nome), resolvi sair detrás do picumã e mostrar que aquele vivente ali no canto, comendo churrasco gordo e jogando os ossos pro Sabugo Chupado(que vem a ser o cachorro da estância, e que leva o nome por ser feio, mas FEIO. Feio de escorrer uma lágrima), não é mudo.
Pedi o violão e me preparei pra umas coplas buenachas, mas me ocorreu que não sabia o bastante pra me expor assim, que tenho meus brios. Fica prometida a réplica, que nem poderia ter esse nome porque não vou desembainhar a adaga(o que nem seria um problema na estância, que o Ocã já me carneava num vu!).Vou correr uma eguada de artigo, apartar um brioso e apareço por aqui pelo final do mês, pra falar do mesmo assunto.

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Mas como não acho certo vivente que se comporta como moça de família, que esquenta, esquenta mas não prende fogo, vou falar de alguma coisa, pra não parecer um bocaberta completo.E eu vou falar dum xirú macanudo e dumas poesias muy lindas que ele escreveu.O nome do homem é Carl Sagan, ou Carlos Sagaz. Seguido aparece por acá, com umas bombachas largas e favudas, montado no crioulo dele, de nome Cosmos.

Livre-arbítrio? Mas tu tá loco...

"Eu já me enchi desses homens-sim-senhor!
- Vou criar algo que tenha livre-arbítrio!"



Com licença, meus senhores, vai falar um blogueiro!

Serei direto, porque já é tarde e tenho que tirar um cochilo, pelo menos umas duas horinhas! Assunto polêmico nas atualidades, o livre-arbítrio foi posto à prova e, pra surpresa de muitos, melou.

A questão é simples. A resposta, nem tanto.

Temos capacidade de escolha: sim ou não? O que a gente pode falar, sem ter medo, é que temos a sensação de escolher o que fazemos. Mas o que sentimos não é necessariamente real. Por exemplo, quando vocês pegam um rabanete na mão, sentem como se estivessem encostando a pele na raiz, matéria na matéria. Acontece que não é verdade. A distância mínima que um corpo chega do outro é o Raio de Van der Waals, ou seja, não existe contato direto, só o resultado das interações eletrostáticas. Quando o vivente olha pra uma duna, parece que ela é totalmente recheada de areia, mas, na verdade, o que mais tem ali dentro são espaços vazios. Muito bem, adiante.

A experiência não confere sempre com a realidade, mas é importante pra nossa interação com o meio onde vivemos e do qual dependemos. Tendo em vista a importância disso, tá na cara que a seleção natural não ia amolecer pro lado dos que não sentiam nada. Pra demonstrar isso, é só dar uma olhada pros animais. Quase todos (e certamente, todos os mais abundantes) são dotados de órgãos de sentido. Sentem campos elétricos, ondas eletromagnéticas, ondas mecânicas, moléculas e otras cositas más.

A Bíblia diz e todo mundo sabe. Deus deu ao homem a capacidade de escolher o que faz. Acontece que tá se mostrando que não é bem assim, e eu vou explorar essa ideia de um jeito bem banal, que qualquer um é capaz de pensar.

Te imagina com uma decisão difícil: comprar um bagual crioulo ou fazer um puxadinho. O puxadinho tá fazendo falta, pois a patroa tá prenha de novo, e o varãozinho que tá pra nascer vai ser espaçoso que nem o pai. O cavalo é importante pra lida, vai ajudar a fazer uns bicos nos ranchos da região. Agora tu não sabe o que fazer. Vai começar a pensar no passado pra lembrar de histórias parecidas, nas vantagens de ter um cavalo, na história de alguém que ganhou filho recentemente, etc. A outra coisa que tu vai fazer é pensar no futuro, tentando prever o que pode acontecer se tu escolher uma coisa ou a outra. Essa capacidade de pensar no futuro a longo prazo é um diferencial importante dos homens. É difícil bicho que planeje tanto! Bom, vou dar o final da história. Tu vai escolher o puxadinho, porque, há dois anos, a mulher do João das Calhas teve filho, e eles tavam morando numa casinha de um quarto só. Acontece que a dita cuja ganhou o bebê e eles se acomodaram tudo no mesmo quarto. Daí o João anda puto da vida, pois disse que não tem mais intimidade com a patroa, que ela acha que abrir as pernas com o filho por perto é pecado. Imagina só! O cavalo a gente tenta conseguir emprestado, coisa e tal. Mas ficar dois anos ou mais sem uns amassos na querida, não tem como. Isso acaba com qualquer um.

Agora, a análise.

A decisão foi tomada. Aparentemente, o livre-arbítrio existe. É mesmo? Ou tudo o que tu fez foi condicionado por coisas as quais tu já tinha vivenciado? E se tivesse uma oportunidade de emprego boa que dependesse muito de um cavalo, tu ainda ia "escolher" o puxadinho? E se a tua mulher fosse um diabo feio, tua não ia achar bom ter uma trégua no rala-e-rola? Então, meu amigo. Tu agiu deterministicamente, boca-aberta. Pode parecer que tu tinha a capacidade de escolher, mas teu cérebro te lançou pro lado do puxadinho, pois a experiência armazenada que tu tinha dizia que isso era mais importante.

As escolhas tão determinadas por experiências anteriores e pela capacidade de planejamento.

Pra encerrar, que já to me estendendo demais. A sensação de ter tomado uma escolha acontece depois do teu cérebro ter te instruído a seguir um caminho. Não é muito intuitivo, eu sei, mas já tem um estudo provando isso.

Lógico que este artigo não tem a intenção de botar um ponto final na história. É um prelúdio da ópera, tô só iniciando a discussão e, confesso, de uma forma bem grosseira e pouco rigorosa. Tenho certeza que o companheiro Costa (Marcelão, também conhecido como Xiru Motoneta, Xiru Moranguinho e outros) vai se encarregar de escrever algo de melhor qualidade, mas, pra não deixar o blogue parado, vim aqui começar a peleia.

Agora nas férias, a coisa vai ficar meio devagar por aqui. Mas voltando o ritmo maluco do ano, as cousas vão se aprumando e tu vai ver mais conteúdo nessa budega. Já deixo aqui um incentivo ao companheiro Pimentel e ao Costa pra que escrevam. Tu também, que tá lendo aí. Se tiver vontade de escrever algo de acordo com a proposta desse blogue aqui, te esperta, é só falar comigo.

Um abraço do Pablito.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Toponímias

Prá deixar claro o porquê do nome desta tertúlia virtual aqui, precisamos voltar lá pra o século catorze. Naquele tempo, na ilha da Inglaterra, num vilarejo chamado Occam, nascia um frade de graça William, ou Guilherme, na tradução. O tal do Guilherme - Guilherme de Occam, como ficou conhecido -, foi um pensador formado nas filosofias. Era um literato de primeiríssima.

Mas eu não vim aqui falar de homem, e só a ideia já me tapa de nojo. Quem quiser bisbilhotar mais a vida do sujeito, que visite a Wikipédia. Ou, se quiser mamata, clica aqui. O que passa é que o tal do Guilherme criou um princípio que sintetiza de um jeito muy guapo o pensamento e as intenções deste blogue. Ele dizia que "se duas afirmações explicam um fenômeno com igual eficiência, provavelmente, a mais simples é a correta". A esse pensamento simplista, deram o nome de Navalha de Occam, pois, tal como uma lâmina, separa no talho as ideias. Claro que vai do bom senso do vivente saber ver qual é a mais simples das afirmações. Não adianta dar uma explicação que gera mais perguntas do que respostas.

Tá aí a alma do princípio. A Navalha de Occam é uma ferramenta pra clarear essa bobajada toda que se fala por aí. Mas como navalha pra mim é coisa de barbeiro, aqui se fala Adaga de Occam. Adaga do Xiru Occam, creditando o padre bagualito que nos forneceu o ponto de partida.

Aqui é espaço aberto pra ciência, filosofia e pra ideias de outra natureza. Vamos tentar esclarecer os comos e os porquês, quando existirem. Tudo num clima de galpão, com canha na guampa e mate na cuia.

Abraço do Barradas.